Fiocruz terá campus virtual até o final de 2015

Projeto oferecerá ao público, de forma gratuita, conteúdo relacionado a recursos educacionais produzidos pela instituição

Suzana

Nísia Trindade Lima,  da Fiocruz. (Foto: Divulgação)

Até o fim de 2015, a Fiocruz deverá oferecer acesso gratuito a um repositório de recursos educacionais, que estará inserido em um projeto de Campus Virtual. A vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, explica que a ideia do Campus Virtual, que faz parte da Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz, instituída em 2014, é reunir todo o material produzido pela Fundação relacionada a recursos educacionais, como aulas e mesas de debates, para que a sociedade tenha acesso a esse conteúdo.

Nísia explica que, ao definir a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, a Fiocruz reafirmou seu compromisso com a democratização do conhecimento e do acesso à informação científica, mas o trabalho está apenas no início. “No Brasil, nós não temos uma política nacional para o acesso à informação científica, como já existe em outros países. Portugal, por exemplo, já avançou muito. Trata-se de um tema complexo em que o Brasil ainda precisa avançar no sentido de que as agências de financiamento também tenham acesso aberto como cláusula. Queremos colocar esse tema na pauta das agências de financiamento do Brasil e da própria política pública em geral”, detalha Nísia.

Ela explica que a Fiocruz tem uma produção extensa no âmbito da educação, que vai além da inovação tecnológica e da produção de artigos científicos. Esse conteúdo, na visão da vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz deve ser compartilhado com a sociedade. “Já iniciamos os trabalhos para organizar o material que vai compor o repositório de recursos educacionais do Campus Virtual. Nossa meta é publicar este conteúdo até o fim deste ano”, afirma.

A Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz foi instituída em 31 de março de 2014 (https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/portaria_-_politica_de_acesso_aberto_ao_conhecimento_na_fiocruz.pdf) com o objetivo de garantir à sociedade acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda a obra intelectual produzida pela instituição. Nísia diz que a Política reforça as iniciativas nacionais e internacionais de apoio ao Acesso Aberto e à integridade da Pesquisa e contribui para fortalecer os mecanismos de preservação da memória institucional. A Política também foi criada para aumentar o acesso e o impacto da produção intelectual da Fiocruz.

“Há uma reflexão importante nesse contexto. Instituições com o peso da Fiocruz, em um universo com uma produção intensa de informação, servem como parâmetro para que a informação científica chegue ao cidadão”, diz Nísia.

Procedimentos preservam a integridade da pesquisa de dados sigilosos e patentes

Ao criar a Política, a Fiocruz disponibilizou publicamente um repositório institucional para que toda a sociedade possa acessar as publicações produzidas por pesquisadores da Fundação. Mas Nísia deixa claro que a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento não vai contra a questão da proteção. “Pelo contrário, ela absorve isso, pois somos uma instituição que produz trabalhos de impacto em termos de inovação e desenvolvimento tecnológico”, ressalta.

Para preservar a integridade da pesquisa de dados sigilosos ou que têm potencial para se tornar patentes, há trâmites específicos. No caso de patentes, o depósito no repositório só e feito após a publicação pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Com relação a sigilo industrial, o embargo é determinado após avaliação dos Núcleos de Acesso Aberto ao Conhecimento (Naacs) de unidade da Fiocruz responsável.

É importante destacar que, em caso de período de embargo, a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz respeita o prazo determinado pela revista científica. Porém, ao depositar o trabalho, o autor deve informar o tempo de embargo solicitado pelo período para a qual enviou o artigo. Após o cumprimento desse período, o acesso ao artigo é liberado automaticamente, sem prejuízos para o autor.
Acesso gratuito às publicações da Fiocruz

Nísia destaca como outra ação importante na linha do acesso aberto a criação do Portal de Periódicos da Fiocruz (http://www.periodicos.fiocruz.br/). Criado em março de 2015, o portal reúne o conteúdo de sete revistas publicadas pela Fiocruz. Em um único ambiente web, o público em geral tem acesso aberto e gratuito aos artigos de todas as publicações científicas editadas na Fiocruz. A partir da pesquisa integrada, os leitores têm uma visão ampliada do conhecimento em saúde, a partir de diferentes abordagens.

“Pensamos no portal porque temos sete revistas em níveis diferentes de consolidação, sendo que duas são muito recentes. O público em geral não tem noção desse conjunto de publicações científicas da Fiocruz. Então pensamos em reunir todas nesse portal e, com isso, também fortalecer um fórum dos nossos editores científicos, para facilitar o compartilhamento de experiência e custos”, explica Nisia.

Segundo a vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, o portal é um espaço para divulgar discussões realizadas na instituição para um público mais amplo, como debates relacionados ao puder do publishers internacionais e dos custos de publicação de um artigo. “No portal, é possível encontrar, por exemplo, debates promovidos em torno da qualidade do nosso modelo de avaliação, como o que aconteceu no início do ano letivo, quando trouxemos a antropóloga Hebe Vessuri”.

No Portal, pode-se recuperar o debate com a participação da antropóloga Hebe Vessuri, que fez uma crítica aberta à competição científica e destacou a necessidade da mudança dos indicadores de qualidade. Ela afirma que, além de limitar a ciência a um grupo restrito, os parâmetros atuais de avaliação desestimulam a criatividade e a originalidade nos temas de pesquisa, pois há uma prioridade para os temas que se “enquadram” à publicação.

A partir da exposição de conteúdos como o da palestra de Hebe Vessuri, Nísia observa que o Portal serve tanto para a comunidade científica, que usa uma linguagem mais codificada do conhecimento, como para a comunicação desses resultados para públicos mais amplos.

Nísia lembra que, há mais de um ano, o Fórum dos Editores Científicos da Fiocruz vem debatendo estes temas relacionados sobre formas de fazer e divulgar a ciência de uma forma sustentável. Ela explica que o Portal de Periódicos nasceu no cerne desta discussão, integrando as revistas e promovendo este diálogo.

Suzana Liskauskas/ Jornal da Ciência